Resumo da sessão ISOC Portugal a partir de Lisboa
Nos tempos mais recentes a Internet está a abarcar capacidades de computação massiva em grande escala, interligando cada vez mais pessoas, computadores, máquinas, automóveis e coisas. Os sistemas de software suportados em tais ambientes processarão informação a uma escala nunca antes vista, decidindo automaticamente sobre recomendações e mesmo com decisões de atuação autonómica, com base em algoritmos complexos que manipulam uma enorme quantidade de dados e em novos algoritmos da Inteligência Artificial (IA).
Este novo mundo trará certamente grandes benefícios, ajudando no combate e percepção de SPAM, conhecimento e personalização dos utilizadores nas suas experiências “on-line”, detecção e prevenção de fraude, novas aplicações e sistemas de informação na área da medicina e cuidados de saúde, ou na automatização de interações com reconhecimento de voz. Por outro lado criar-se-ão condições para redução de custos de provisão de serviços, beneficiando da possibilidade de incrementos generalizados de produtividade.
No entanto, a evolução da IA pode também expor a Internet a novas ameaças e preocupações como já se verificam: disseminação incontrolável de “falsas notícias” e informação incorreta, vigilância de pessoas em grande escala, violações de privacidade e possível erosão dos direitos humanos. A desconstrução das estruturas convencionais de intermediação ou de regulação, com o ressurgimento de uma nova era de intermediação global, é outro aspeto que merece uma reflexão aprofundada. Muitos observadores têm também manifestado apreensão em relação às repercussões na desvalorização e perdas na estrutura do emprego, bem como uma tendência para uma enorme concentração de poder num muito pequeno número de corporações e organizações.
A rápida evolução da IA pode de facto ter impacto negativo na confiança das pessoas e em ameaças à Internet, como sistema aberto, podendo provocar uma aceleração de factores de divisão digital, entre um pequeno conjunto de “vencedores” e os que serão deixados para trás.
Na sessão que emitiremos de Lisboa para o Mundo vamos debater, refletir e explorar as seguintes questões:
- Como adaptar normas e princípios éticos, bem como considerações de concepção e operação dos sistemas que usam os resultados da IA e que processam, analisam e gerem automaticamente grandes quantidades de dados (big-data) ? Como garantir a adequação de tais princípios com os necessários controlos ?
- Como assegurar que o desenvolvimento desses sistemas se faz de forma responsável, num cumprimento dos direitos, liberdades e garantias da pessoa humana e de modo a estabelecer as necessárias premissas de preservação de condições de privacidade ?
- Como preservar condições de governo da Internet com participação dos seus múltiplos stackholders, assegurando a sua abertura e garantindo os factores que ajudem no estabelecimento de um modelo sócio-económico com igualdade de oportunidades para todos ?
O debate de Lisboa será animado por Arlindo Oliveira (Presidente do Instituto Superior Técnico), Pedro Veiga (Coordenador do Centro Nacional de Cibersegurança e Professor da Universidade de Lisboa) e Rogério Reis (Professor da Universidade do Porto e membro da ISOC). José Legatheaux Martins (Professor da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa Presidente da ISOC Portugal) e Maarit Palovirta (ISOC European Regional Bureau) moderarão o debate.