Qual a saúde da Internet durante a crise do Covid-19?

Nas últimas semanas a procura e o volume de comunicações sobre a Internet aumentou para níveis nunca antes alcançados. Mas o conjunto descentralizado de redes que forma a Internet tem sido capaz de absorver essa procura. De forma geral, a qualidade de serviço não se tem degradado e as novas solicitações têm sido satisfeitas em condições muitos razoáveis.

Esta página foi elaborada e será mantida pelo Capítulo Português da Internet Society para fornecer o máximo de informação que for possível reunir sobre o comportamento da Internet neste momento tão crítico. 

A Internet resiste às solicitações de que todos estes acessos necessitam? Tudo indica que sim — Opiniões e comunicados

Comunicado da ANACOM (27.3.2020)

Decreto-Lei 10-D/2020 de 23 de março – Estabelece medidas excecionais e temporárias de resposta à epidemia da doença COVID-19 relacionadas com o setor das comunicações eletrónicas.

Comunicado do BEREC (19.3.2020)

Opinião da CloudFare (17.3.2020)

A opinião da Internet Society (18/2/2020)


Testemunhos sobre algumas das plataformas relativas à situação em Itália, recolhidos antes de 23 de março:

  • Zoom: “In general, we architect our data centres and have built them so they can run at 50% of peak capacity”
  • Google: “Google has doubled how much data it can put through Italy’s main Internet exchange in Milan to cope with extra activity on its servers, according to people familiar with the matter.”
  • Microsoft: “Internet traffic going through the Milan Internet Exchange grew 150% because of the coronavirus.”
  • WhatsApp: “Traffic jumped 217% during peak hours of the day after lockdown measures were instituted in the region, and traffic grew 500% the first Sunday after physical movement was restricted.”

Que poderá explicar o comportamento relativamente satisfatório da Internet durante esta crise?

Como é possível que uma rede baseada no conceito de “Best Effort” (que se pode traduzir por “a rede fará tudo o que for possível para garantir o seu funcionalidade, mas não dá garantias rígidas”) esteja a portar-se tão razoavelmente? Segundo os peritos diversos fatores estão a contribuir para este “brilharete”. Entre estes os seguintes:

  • A maioria do serviços que mais recursos rede consomem, como o streaming, o vídeo e as tele-conferências estão hoje em dia implementados de forma a se adaptarem dinamicamente à capacidade disponível na rede, e reduzem automaticamente o débito requerido em caso de dificuldades na rede. Adicionalmente, a maioria dos fornecedores de conteúdos em streaming diminuíram a respetiva resolução na emissão.
  • A maioria dos backbones estão dimensionados para os períodos de ponta e com folga para acomodarem variações súbitas. Ora as horas de ponta deslocaram-se da noite para o dia e as concentrações do tráfego de dia deslocaram-se dos centros de escritórios para outra periferia da rede, a das ligações residenciais.
  • Os serviços são providenciados com uma grande diversidade e redundância, quer nas plataformas do mesmo  operador, quer porque existem inúmeros operadores para o mesmo tipo de serviços. Esta diversidade robustece todo o tecido de serviços disponíveis (streaming, email, redes sociais, tele-trabalho, grupos de discussão, etc.).
  • A Internet foi concebida com redundância e adaptação automática ao estado da rede, para resistir a uma “bomba atómica enviada por um Estado inimigo” como reza a lenda, porque não resistiria a uma pandemia, afinal uma “bomba atómica” menos mortal?