Contribuição da Internet Society para o WSIS+20 – A Internet Society completou recentemente a sua contribuição para o chamado desafio WSIS+20, sobre o futuro da Governação da Internet. Na sequência desta aprovação, a nova direção do Capítulo Português da Internet Society aprovou a seguinte deliberação:
A ISOC.PT apoia a contribuição da Internet Society para o Zero Draft que servirá de base de discussão para o documento final do WSIS+20 em Dezembro de 2025. A declaração da Internet Society defende que o Zero Draft deve:
1. reconhecer a abertura da Internet e comprometer-se a defendê-la, reforçando o ênfase na continuação da governança multi-stakeholder da Internet através do Internet Governance Forum Global, bem como dos IGF nacionais e regionais;
2. reforçar a necessidade de construir a confiança nas TIC, realçando a necessidade de adoptar, implementar e promover as melhores práticas de segurança, incluindo a criptografia fim-a-fim e outras tecnologias de segurança;
3. reconhecer a importância da existências de conteúdos em vários idiomas e da sua acessibilidade para grupos de diversas culturas;
4. manter as linhas de ação atuais, que são gerais a agnósticas das aplicações, e não apoiar a criação de uma linha de ação separada para a inteligência artificial.
Plano da Comissão Europeia para tornar possível o acesso a informação cifrada, nomeadamente a objeto de criptografia fim-a-fim – No final do passado mês de Junho, a CE publicou um documento com um roadmap sobre como implementar o acesso “legal” a informação cifrada. Este roadmap vem na sequência da comunicação Protect EU da CE ao PE e ao Conselho. As ideias de base consistem em tornar acessível, por ordem judicial, informações cifradas trocadas entre entidades e entre cidadãos. Até ao momento as soluções propostas, quando é usada criptografia fim-a-fim, passam por a banir na prática ou, em alternativa, introduzir uma terceira parte com acesso à informação em claro como tem sido amplamente denunciado. Uma publicação no blog da empresa canadiana Privid, um vendedor de soluções de segurança, apresenta uma útil panorâmica da posição de diferentes países europeus sobre estas questões.
A Irlanda também planeia interceptar informação cifrada fim-a-fim sem “pôr em causa a privacidade dos utilizadores” – De acordo com um artigo da publicação Irish Legal News, esse plano não passa de uma fantasia, no que à privacidade dos utilizadores diz respeito.
Proposta de lei Strong Borders Act, apresentada pelo Governo do Canadá, constitui um grande ataque à privacidade – Segundo um artigo publicado pela Wire.com, o Governo do Canadá introduziu a proposta de lei Bill C-2, o Strong Borders Act, teoricamente para proteger a soberania digital do país. No entanto, a lei esconde mecanismos que permitiriam ao Governo exigir a qualquer empresa de serviços digitais online (telecom, big-tech, saúde, hoteis, venda de serviços, etc.) entregar ao governo dados sobre os seus clientes sem necessidade de qualquer prévia autorização ou supervisão judicial. Segundo vários peritos em legislação, a proposta “é o maior ataque à privacidade visto no Canadá nas últimas décadas”.
INTERNET E SOCIEDADE: NOTÍCIAS, ENSAIOS E REFLEXÕES
Uma Internet baseada em direitos humanos universais, ou nos valores ocidentais? – No artigo “The US Just Logged Off from Internet Freedom”, publicado na TechPolicy.Press, Konstantinos Komaittis, Diretor Sénior da Internet Society, denuncia a recente alteração da política dos EUA, promovida pela administração Trump, em que a defesa de uma Internet aberta e livre é substituída pela defesa de uma Internet “alinhada com os valores ocidentais” (leia-se, com os valores desta administração). Naturalmente, tal alteração justifica plenamente que outros países (como por exemplo China, Turquia, Irão, Arábia Saudita, Índia, Alemanha, França, …) defendam também uma Internet baseada nos seus valores. Será que esta alteração é uma mudança telúrica ou uma simples clarificação sobre a situação real no terreno?
TERTÚLIA TÉCNICA
Lisboa foi capital, durante alguns dias, da indústria de cabos de fibra ótica submarinos – Nesta publicação, Sunil Tagare, um especialista em cabos de fibra ótica, dá uma panorâmica do estado da arte atual e futuro desta tecnologia e desta indústria.
Pode a Internet ser usada para detectar fogos florestais? Um projeto na Tailândia tenta dar resposta a esta pergunta, usando tecnologias de baixo custo e a participação das populações das zonas mais atingidas.
Porque não são os IXPs classificados como infraestruturas críticas? Os Internet Exchange Points (IXPs) são infraestruturas fundamentais para o funcionamento e otimização do tráfego da Internet. Porque não são considerados como fazendo parte das infraestruturas críticas de comunicações? É a questão levantada por este artigo publicado no Blog da APNIC.
Como é que um software cliente escolhe usar o protocolo QUIC? Para evitar que um cliente tente usar QUIC quando um servidor não suporta QUIC, o que seria uma perda de tempo durante o handshake inicial, estão a ser definidos mecanismos que permitem saber com antecedência que protocolos podem ser usados para usar um serviço, como explica este artigo de Geoff Huston publicado no blog da APNIC.
Não deixe de pagar a quotização anual do ISOC Portugal de 2025 – Saiba como aqui.
